Esta página traz informações gerais e neutras. Se a cirurgia é adequada para você, e de que tipo, é decidido junto com uma equipe especializada. Os critérios e a cobertura variam de país para país. A Obesity Foundation não promove cirurgia nem medicamentos para emagrecer; nosso foco é boa alimentação, exercício adequado e caminhada.
Como funciona a cirurgia bariátrica?
A cirurgia bariátrica funciona sobretudo ao mudar os sinais entre o intestino e o cérebro, e não apenas ao diminuir o estômago. Depois da cirurgia, hormônios intestinais como o GLP-1 se alteram, a fome diminui e a pessoa se sente saciada mais cedo. A glicemia muitas vezes melhora em poucos dias, antes mesmo de uma grande perda de peso.
Por isso os especialistas falam hoje em cirurgia metabólica e bariátrica. Quase todas as operações são feitas por videolaparoscopia.
Quais são os tipos de cirurgia?
As duas operações mais comuns no mundo são a gastrectomia vertical (sleeve) e o bypass gástrico em Y de Roux.
| Operação | O que o cirurgião faz | O que é bom saber |
|---|---|---|
| Gastrectomia vertical (sleeve) | Retira a maior parte do estômago, deixando um tubo estreito | Não pode ser revertida. Pode causar ou piorar o refluxo ácido. |
| Bypass gástrico em Y de Roux | Cria uma pequena bolsa gástrica ligada diretamente ao intestino delgado, de modo que os alimentos não passam pela maior parte do estômago nem pela primeira parte do intestino | Em média, mais perda de peso. Muitas vezes preferido quando há refluxo ácido grave. Maior risco de falta de vitaminas e ferro. Difícil de reverter. |
| Switch duodenal e operações semelhantes | Um sleeve mais um desvio mais longo do intestino delgado | Maior perda de peso, mas o maior risco de deficiências nutricionais. Feito com menos frequência. |
| Banda gástrica ajustável | Coloca uma banda ajustável em volta da parte superior do estômago | Menos perda de peso e ajustes frequentes. Hoje raramente usada. |
Outras opções, como o bypass gástrico de uma anastomose, e procedimentos endoscópicos pela boca estão disponíveis em alguns países. O cirurgião vai discutir qual operação é adequada à sua saúde.
Quem tem indicação para cirurgia bariátrica?
Segundo as diretrizes internacionais conjuntas da American Society for Metabolic and Bariatric Surgery (ASMBS) e da International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders (IFSO), a cirurgia é recomendada para adultos com IMC de 35 ou mais, tenham ou não outros problemas de saúde. Deve ser considerada para adultos com IMC de 30 a 34,9 e doença metabólica, como o diabetes tipo 2.
Como os riscos à saúde começam com um IMC mais baixo em pessoas de ascendência asiática, as mesmas diretrizes recomendam oferecer a cirurgia a pessoas asiáticas a partir de um IMC de 27,5.
Os critérios nacionais costumam ser mais rígidos. No Reino Unido, por exemplo, o NICE recomenda avaliar para cirurgia os adultos com IMC de 40 ou mais, ou de 35 a 39,9 com uma doença importante relacionada à obesidade. Muitos países também exigem uma avaliação por uma equipe que inclui um cirurgião, um nutricionista e um psicólogo.
Pergunte ao seu médico quais são as regras onde você mora. A nossa página sobre IMC e circunferência da cintura explica essas medidas.
Que resultados você pode esperar?
A cirurgia bariátrica costuma levar a uma perda de peso considerável, e os resultados variam de pessoa para pessoa. Algum reganho de peso ao longo dos anos é comum. Os estudos também analisaram efeitos além do peso:
- Diabetes tipo 2: muitas pessoas passam a precisar de menos ou de nenhum medicamento para diabetes, embora o diabetes possa voltar com o tempo.
- Outras doenças: a pressão alta, a apneia do sono, o fígado gorduroso e as dores nas articulações muitas vezes melhoram.
Quais são os riscos?
Hoje, a cirurgia bariátrica é uma operação segura em centros experientes, mas, como toda cirurgia de grande porte, tem riscos. Em um registro norte-americano de quase 250.000 operações, 0,1 por cento das pessoas morreu em 30 dias. As possíveis complicações incluem:
- fístulas, sangramento, infecção ou coágulos sanguíneos logo após a cirurgia;
- estreitamentos, úlceras ou hérnias, que às vezes exigem outra operação;
- cálculos na vesícula, como em qualquer perda de peso rápida;
- refluxo ácido, sobretudo após uma gastrectomia vertical;
- falta de vitaminas e minerais, como ferro, vitamina B12, folato, cálcio e vitamina D.
O que envolve o acompanhamento por toda a vida?
A vida após a cirurgia bariátrica exige cuidados por toda a vida, porque o corpo absorve os nutrientes de outra forma. Isso geralmente inclui:
- Vitaminas e minerais todos os dias, para sempre, além de exames de sangue regulares para detectar deficiências.
- Comer de uma nova forma: refeições pequenas, comer devagar, proteína suficiente e beber entre as refeições, e não durante.
- Síndrome de dumping: após um bypass gástrico, alimentos açucarados ou gordurosos podem passar rápido demais para o intestino, causando cólicas, suor, tontura ou diarreia. Também pode ocorrer glicemia baixa algumas horas depois de comer.
- Cuidado com o álcool: o álcool é absorvido mais rápido depois da cirurgia. Em um grande estudo norte-americano, as pessoas que fizeram bypass gástrico tiveram mais que o dobro do risco de desenvolver problemas com o álcool em sete anos, em comparação com as que colocaram banda gástrica.
- Planejamento da gravidez: os médicos geralmente recomendam esperar até que o peso esteja estável, muitas vezes 12 a 18 meses, e fazer exames extras. Veja obesidade e gravidez.
- Apoio à saúde mental: grandes mudanças no corpo e na alimentação podem despertar emoções fortes. O apoio psicológico pode ajudar.
Se o peso voltar depois da cirurgia, há ajuda disponível: converse com a sua equipe especializada sobre as suas opções. Boa alimentação, caminhada diária e exercício regular continuam importantes para toda a vida. Saiba mais sobre o reganho de peso.
Adolescentes podem fazer cirurgia bariátrica?
Sim, as diretrizes internacionais dizem que adolescentes com obesidade grave, cuidadosamente selecionados, devem ser considerados para cirurgia em centros especializados. No estudo norte-americano Teen-LABS, os adolescentes perderam tanto peso quanto os adultos cinco anos após o bypass gástrico e tiveram mais chance do que os adultos de ver o diabetes tipo 2 e a pressão alta entrarem em remissão.
Também precisaram com mais frequência de novas operações abdominais e tiveram mais vezes ferro e vitamina D baixos, por isso o acompanhamento próximo e o apoio da família são essenciais. Saiba mais sobre obesidade em crianças e adolescentes.
Perguntas frequentes
A cirurgia bariátrica é o caminho mais fácil?
Não. A cirurgia é um tratamento médico de grande porte, considerado quando outros tratamentos não foram suficientes. Exige uma preparação cuidadosa, mudanças permanentes na alimentação e acompanhamento por toda a vida. Se ela é adequada para você é uma decisão pessoal, tomada com uma equipe especializada, e ninguém deve ser julgado por isso.
O que é melhor: gastrectomia vertical (sleeve) ou bypass gástrico?
Não existe uma única resposta. O bypass gástrico muitas vezes leva a uma perda de peso um pouco maior e costuma ser preferido para pessoas com refluxo ácido grave, enquanto o sleeve é tecnicamente mais simples e tem menor risco de alguns problemas a longo prazo. A escolha depende da sua saúde e é feita com o seu cirurgião.
Preciso perder peso antes da cirurgia?
As regras variam entre países e hospitais. Muitas equipes cirúrgicas pedem uma dieta curta de baixas calorias nas semanas antes da operação, porque ela diminui o fígado e torna a cirurgia mais segura. Pergunte à sua equipe o que se aplica a você.
Posso tomar remédio para obesidade depois da cirurgia bariátrica?
Sim, em algumas situações. Se o peso voltar ou os problemas de saúde retornarem, os médicos podem acrescentar um medicamento para obesidade depois da cirurgia. Isso é decidido pela sua equipe especializada.
Fontes
- Eisenberg et al. – 2022 ASMBS and IFSO indications for metabolic and bariatric surgery (resumo, HCPLive)
- NIDDK – Tipos de cirurgia para perda de peso (Types of weight-loss surgery)
- Universidade de Gotemburgo – Maior expectativa de vida média após a cirurgia da obesidade (estudo SOS, NEJM 2020)
- NIH – Early weight-loss surgery may improve type 2 diabetes, blood pressure outcomes (Teen-LABS, 2019)
- King's College London – Gastrointestinal surgery as a cure for type 2 diabetes: 10-year trial results, The Lancet (2021)
- BMJ – Referral criteria and assessment for bariatric surgery: summary of updated NICE guidance (2023)
